Aprenda a fazer um bolo diferente de cenoura com calda de chocolate

A páscoa já passou, mas sempre é tempo de doce, não é mesmo? Dessa forma, a equipe do Canguleiro preparou uma receita muito simples de um bolo de cenoura com calda de chocolate. A melhor parte: é saudável!! Sim, isso mesmo.

A receita, preparada por Bruna Melo, é fit por conter ingredientes naturais que são ativos funcionais para o nosso organismo. A cenoura, ingrediente principal, é rica em betacaroteno, um antioxidante, que dá origem à vitamina A. O óleo de coco, mesmo em altas temperaturas, não perde as propriedades naturais, diferentes dos outros tipos de óleos vegetais ou azeites.

A aveia, que pode ser substituída por outra farinha fina (como a farinha de arroz), é super funcional e ajuda o organismo a trabalhar na absorção de nutrientes. O açúcar mascavo é, dos açúcares extraídos da cana de açúcar, o mais saudável por não passar por refinamentos, mas quem tiver e puder pode trocar o açúcar mascavo por açúcar de coco ou sucralose (ambos podem ser consumidos por diabéticos). O bicarbonato de sódio vem como a opção ao fermento porque ele é um anti-ácido e auxilia na digestão

Agora, já sabendo dos benefícios dessa super receita, dá uma olhada no passo a passo do vídeo aqui embaixo. Uma coisa é garantida: vai ficar muuuuito gostoso!!

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O barco

No parapeito branco do viaduto do Baldo se apoiava um menino. Com seus 10 anos de idade e corpo magro, ele utilizava a estrutura elevada para realizar o seu sonho de criança. No fim da tarde daquele 21 de novembro, ele se debruçava na estrutura sobre as avenidas Rio Branco e Deodoro da Fonseca, no centro da cidade. Não era notado, mas observava cada pessoa ali de cima.

Naquele dia, em especial, o menino se realizava. Há alguns anos, subia o viaduto arrastando a chinela de dedo, para ver passar a procissão de Nossa Senhora da Apresentação, que vinha do Alecrim. Aquela imensidão de gente descendo a ladeira, passo a passo, se assemelhava como um braço d’água invadindo o sertão seco em tempos de cheia. E ele adorava observar aquela cena.

É certo que o sonho do menino era ser marinheiro, trabalhar em um navio além mar, onde o horizonte é infinito. Apesar da proximidade do litoral, o garoto ainda era muito pequeno para assumir o posto idealizado. E era no parapeito da estrutura de concreto armado que o menino se fazia marujo.

Gostava de imaginar que o viaduto era um grande navio, que passava bravamente pelo mar de pessoas à frente. De azul e branco, os fies se igualavam ao oceano. E o coro de vozes soava como as ondas batendo na polpa da embarcação. Era uma verdadeira aventura para aquela imaginação infantil.

Com as mãos cruzadas sob o queixo, o rapazinho descansava o corpo no parapeito e brincava de ser criança. O vento forte no rosto e o reflexo dourado do pôr do sol vindo do rio Potengi, à sua direita, adicionavam realidade àquela experiência, a qual foi logo interrompida por uma das ondas abaixo.

Os olhos do menino se encontram aos de uma mulher, que ao contemplar o céu, reconheceu naquele pontinho em cima do viaduto o seu filho. Assustado, o garoto desceu a pista do Baldo e correu de volta para casa. A partir desse dia, não viajou mais de barco.

Você tem mais uma chance de assistir Jacy em Natal

Em janeiro passado o grupo potiguar de teatro Carmin completou nove anos de trabalho. A comemoração, no entanto, será próximo sábado, com a encenação, às 20h na Casa da Ribeira, da peça “Jacy”, considerada um dos 10 melhores espetáculos nacionais de 2015 pelo jornal paulista Estadão. A apresentação será única e reservas podem ser feitas através do telefone 3211-7710.

Com texto dos filósofos Pablo Capistrano e de Iracema Macedo e direção de Henrique Fontes, Jacy representa o início do grupo no Teatro Documental, pois investiga e pesquisa a história de uma mulher que nasceu em Natal nos anos 20, cujos pertences foram encontrados dentro de uma frasqueira pelos próprios atores na Av. Prudente de Morais em 2010.

É impossível não se emocionar com a história de uma mulher, em plenos século XX, a qual passa por importantes períodos do país, como a Segunda Guerra Mundial e a ditadura de 1964, até chegar aos últimos anos de vida em Natal.

A montagem conta com suportes tecnológicos, como um projetor que transmite em tempo real as imagens captadas por uma câmera dentro do palco, cujo efeito complementa positivamente a carga dramática da história.

O espetáculo conta com uma hora de duração e os ingressos custam R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia.

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Cena de Jacy, com Quitéria e Henrique no palco. Fonte: Grupo Carmin

Grupo Carmin

Formado atualmente pela atriz Quitéria Kelly, pelo videomaker Pedro Fiuza, além do diretor Henrique Fontes, do dramaturgo Pablo Capistrano e do produtor Daniel Torres, o Carmin possui ao todo quatro espetáculos. O último deles, “Por que Paris?”, estreou em julho do ano passado na Casa da Ribeira.

Sempre pesquisando temas urbanos que pudessem ser retratados de forma cômica, o grupo procura fazer rir ao mesmo tempo em que abre espaço para a reflexão. A exclusão social, seja ela caracterizada por moradores de rua ou por idosos de classe média, continua presente nas histórias contadas por eles.

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Integrantes fixos do grupo Carmin. Foto: Vlademir Alexandre.

 

 

 

 

 

 

A arte de performar – Conheça Carmen De Vil

 

O Dj dá o play e a música começa. Os auto falantes reproduzem um batida eletrônica enquanto a voz doce da cantora fala sobre ser quem você é. No palco, Carmen De Vil. Roupa preta, cabelo curto e maquiagem no rosto. As palavras performadas não são dela. Mas é como se fossem. Sua explosão no palco e a força com quem dubla cada verso prende o olhar de quem está no bar.

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A canção foi escolhida com base em experiências pessoais vividas pela própria artista, que já tentou mudar o comportamento por causa de alguém. “Tem que gostar de você do jeito que você é, se tornar uma outra pessoa para agradar alguém é triste”, comentou Carmem semanas depois da apresentação.

Utilizar a bagagem individual nas interpretações é algo que muitas drags fazem por ser uma forma de expressar o que sentem. E com De Vil não é diferente. “Com a drag eu consigo expressar a minha vivência e com a performance eu consigo mostrar os meus sentimentos de uma maneira lúdica”, explica.

De acordo com ela, colocar o sentimento no palco é capaz de conectar aqueles que já sentiram a mesma coisa ou que passaram por situações semelhantes. “Quando você assiste alguém colocando a bagagem pessoal dela, você se vê naquela pessoa”, falou.

Isso também se reflete em como se dá todo o processo. As performances de Carmen, por exemplo, acontecem de forma espontânea. A música, ela diz, é escolhida de acordo com a ideia que a letra e a melodia passam. No entanto, poucos passos são ensaiados e muitos deles surgem no meio da apresentação. “Procuro memorizar a letra e entender o que ela diz, mas na hora vivo a música”, explicou.

Com tanta força, é normal que alguns chorem. Outros cantam a música e dançam com a batida, mas todos, em comum, não tiram os olhos de uma drag enquanto ela performa.

Carmen enquanto drag

Apesar da força e seriedade da apresentação, Carmen é divertida e engraçada. Começou a se montar há menos de um ano, na segunda edição da Pajux, festa realizada na Ribeira e que dá espaço para apresentações de drag potiguares. Apaixonada pelo reality Rupaul’s Drag Race, a performer viu na montagem uma ferramenta de expressão.“A drag tem um papel importante e isso se potencializa quando percebemos”, contou.

Falar de um artista por trás da persona Carmen é algo difícil, pois é através da drag que ela fala e mostra o que sente, os dois se juntam e acabam formando uma pessoa só. “A Carmen é um pretexto para ser 100% eu”, revelou.

Documentário sobre cia de teatro de Mossoró é lançado no Youtube

Entre julho a setembro do ano passado a Cia Pão Doce, de Mossoró, percorreu sete cidades do interior do nordeste brasileiro com a peça “A casatória c’a difunta” em sessões gratuitas. O projeto foi contemplado com o prêmio Funarte Arte de Rua 2014, do governo federal e agora virou um documentário que pode ser visto online.

Com texto e trilha sonora assinados por Romero Oliveira e dirigido por Marcos Leonardo, o espetáculo de rua gira em torno de Afrânio, um rapaz medroso que se casa acidentalmente com o fantasma da moça de branco e acaba sendo levado para o submundo dos mortos. As canções são originais e remetem a ritmos nordestinos, como o maracatu e o baião.

A peça foi recentemente selecionada para participar do projeto “Palco Giratório”, organizado pela Federação de Indústrias através do Serviço Social do Comércio (Sesc), passando por 15 estados e 46 cidades brasileiras ao londo de 2016.

Salão de artes abre inscrição para exposição na Pinacoteca

A Sociedade Amigos da Pinacoteca, entidade civil sem fins lucrativos, está com inscrições abertas até o próximo dia 31 para artistas que quiserem expor trabalhos de ilustração, pintura, escultura, gravura, fotografia, arte digital, imagem em movimento e performance. A exposição faz parte do projeto “Salão Dorian Gray – Arte Potiguar”, cujo objetivo é fomentar a produção artística da cidade.

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As obras selecionadas vão passar por três cidades do estado e estarão disponíveis para a venda. Cada candidato poderá inscrever três obras. O formulário está disponível nesse link e deverá ser enviado para o email amigosdapinacoteca@gmail.com até a próxima quinta feira, junto com as cópias do CPF, do RG e três fotos em alta resolução das obras. Representantes dos artistas deverão encaminhar também um documento de procuração.

Para mais informações, acesse o edital da chamada aqui.

 

 

As novidades literárias da Editora Tribo

O ano de 2016 mal começou e o calendário de publicações da editora independente já está fechado. Apostando em artistas reconhecidos nas redes sociais ou que estão começando agora, a Tribo trabalha com autores que não têm condições de bancar os custos de um livro. Nomes como Sirlanney e Éff, ela do Ceará e ele de Sergipe, estão no catálogo de obras que pretendem movimentar o cenário local e também nacional nos próximos meses.

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Ilustração do livro “Eff”. O autor de Sergipe tem mais de 89 mil seguidores no facebook.

As novidades já surgiram no último sábado (19), com o lançamento e relançamento de cinco publicações durante o Bazar de Editoras Independentes. Entre os títulos estão o segundo volume de “Contos rabiscados para corações maltrapilhos”, da Ilustralu  e o mais novo zine de Aureliano “Sobrepeso”. O time de autores de fora é representado pelo livro “Arquipélago”, da manauara Laura Athayde; o zine “Marco” da ilustradora Sirlanney e também os quadrinhos autobiográficos do “Eff” (lançado mês passado em Aracaju).

O contato com artistas de outros estados se deu através de encontros em feiras de editoras independentes pelo país e também pela internet. “Queríamos fugir daquela coisa do artista da terra, de publicar gente daqui. A gente se enxerga como editora nacional, então queríamos colocar esse conceito pra frente”, explica Themis Lima, co-fundadora da Tribo.

Além das novas obras, ainda são previstos seis livros para esse ano. O primeiro deles, “Bruta”, conta com os poemas ilustrados de Adélia Danielli e será lançado entre o final de abril e o começo de maio. Em seguida, a editora trabalha na produção de um livro de crônicas da professora de comunicação da UFRN, Ângela Pavan. O terceiro nome volta a ser a cearense Sirlanney, que está escrevendo “Homens”, uma paródia em quadrinhos do “Mulheres”, de Bukowski.

Sobre a relação entre autor e editora, Themis comenta que tudo é na base da confiança. “A gente tem uma relação familiar com todos. Queremos valorizar o trabalho deles, não queremos passar a perna em ninguém e eles percebem isso”.

“A gente quer contar histórias. Mesmo um livro de poesia, tentamos colocar uma narrativa nele”, aponta a livreira. Ainda de acordo com ela, a escolha das obras é feita através da leitura de manuscritos recebidos por email e também por convite a autores que estão se destacando.

O boom dos zines

Conhecida pelos fanzines  (publicações de proporções menores), por dois anos a Tribo conduziu o projeto “Um zine por mês”. Foram no total 24 obras de estilos diferentes, como crônicas, poemas e quadrinhos. Em cada lançamento era realizado um evento para a promoção do autor e da própria editora.

“A gente queria como uma ferramenta de divulgação [da tribo]”, explicou Themis sobre o objetivo do projeto. “Funcionou muito como um laboratório criativo. A gente experimentava autores e formatos diferentes”.

Atualmente, a editora ainda publica zines, mas sem o compromisso de ser mensal. Isso porque o formato demandava muito esforço e tempo da equipe. Mesmo assim, a empresa foi responsável pela explosão de publicações na cidade. “Depois que a gente começou a fazer o projeto tiveram outras pessoas que produziam os seus próprios zines”, apontou a jovem.

A receptividade dos próprios natalenses foi importante para a editora se consolidar no mercado. Segundo Themis, os moradores da cidade são “muito amorosos” e receberam bem a Tribo. “Quando eu converso com as pessoas de fora, todo mundo fica abismado com as parcerias que a gente consegue fazer aqui. A gente tem um relacionamento muito bom com os fornecedores. Natal é uma cidade muito amorosa e os leitores também”, disse.