O meu primeiro contato cultural com a Ribeira foi na casa que leva o mesmo nome do bairro. Era 2012. Na ocasião, com os cabelos raspados por causa de uma recém aprovação no vestibular, pisei no casarão de número 52 da rua Frei Miguelinho como quem dá o primeiro passo para a liberdade.

Sempre fui proibido, quando adolescente, de acompanhar meus amigos nas festas do Galpão 29 e do Armazém. O ambiente hostil à família tradicional brasileira intrigava meus pais, os quais nunca frequentaram as ruas boêmias do porto. Os conceitos predefinidos de ambiente marginalizado fizeram com que eles decretassem: “Você só vai à Ribeira quando tiver 18 anos”.

Como bom filho que sou, respeitei a cláusula de contrato do “Enquanto estiver debaixo do meu teto”, mesmo havendo brigas frequentes. Quinze dias depois de atingir a maioridade, no entanto, nada me detinha. Assim, em um domingo de janeiro, fui com mais duas amigas para o acústico de Talma e Gadelha. Seria o grande dia.

Para mim, tudo era novo. Parecia criança no circo, olhando tudo com cuidado e com uma espécie de euforia tomando conta do meu corpo. Percebi o contraste entre as paredes antigas de tijolos com as poltronas modernas e acolchoadas. Percebi os diferentes tipos de pessoas ao meu redor. Percebi também o quanto tem gente da cidade que faz arte e que tem vontade de consumir o que é produzido aqui.

Quatro anos depois já voltei à Casa da Ribeira diversas vezes, sempre descobrindo algo novo. O andar de cima, o café delicioso da cantina, os livros da biblioteca e, principalmente, o que os artistas tem a dizer em suas peças, monólogos e shows.

Guardo em mim um carinho absoluto ao espaço que completou 15 anos no último dia seis. Sempre valorizando e dando espaço para a arte potiguar, apesar das frequentes faltas de incentivo público. Parabéns, Casa da Ribeira!! E que venham mais Jaci; Por que Paris?; Meu Nome é Zé e outras peças e shows que pude assistir.

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