Cabelão, saltão e muito carão. Há mais de um ano, a drag queen Kaya ConKY frequenta as festas da capital potiguar ganhando cada vez mais espaço. Quando se monta acaba potencializando as suas características, por isso, fala mais alto e chama a atenção se comparada a sua versão desmontada. Basta conversar poucos minutos com a performer e é possível notar que, além da segurança, o ativismo é umas das suas principais características.

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Foto: @kayabixa

Militante das causas LGBT antes mesmo de começar a se montar, ela enxergou na arte uma maneira de trabalhar e ser reconhecida.“Eu queria trabalhar com isso. No começo eu ia nas festas, ganhava entrada free e só depois comecei a trampar”, contou.

A participação na noite natalense aumentou com o tempo, assim como sua popularidade nas redes sociais. No Instagram, por exemplo, ela tem mais de 3 mil seguidores. Parte dessa mobilização é causada pela liberdade em que se veste e se vê como drag. Utilizando referências que vão desde montagens mais básicas, vestindo peruca lisa e short curto, até figuras animalescas, com o rosto cheio de glitter dourado e batom preto, Kaya comenta que não tem estilo específico, veste o que tá afim.

Com sua fala, seja nas performances ou no snapchat, ela consegue dar visibilidade a gays, trans, mulheres e outras minorias. Mas sempre com o cuidado de não invadir o discurso dos movimentos que os representam. “Eu falo das causas que conheço e tenho propriedade, se eu não tiver, sempre dou espaço para alguém que entende”, explicou.

Hoje, além de performar em diversos rolés, Kaya produz os próprios eventos e diz que sempre tenta dar espaço para todos. “Se tiver uma gata trans na porta da minha festa, por exemplo, eu coloco pra dentro porque é necessário a ocupação e representatividade dessas pessoas nos rolés!”, fala sem arrodeio.

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Performances

Sempre buscando colocar drama nas apresentações, Kaya comenta que já foi abordada várias vezes por pessoas desconhecidas que se identificaram com as músicas dubladas. Em uma delas, após performar uma canção da cantora Alcione sobre um relacionamento abusivo, a drag foi parada por uma mãe de um amigo que confessou ter passado pela mesma situação retratada pela artista em cima do palco. “Ela falou que havia vivido 55 anos para ver aquilo, e que era a história da vida dela”, relembrou.

Em outra ocasião, uma adolescente chegou a contar a vida dos pais homossexuais e os abusos que sofria na escola por causa disso. “Ela chegou devagarinho e contou o quanto sofria. Ela chorou muito e eu chorei também, acabamos nos abraçando. Aquilo representou muito pra mim”, reconheceu.

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O papel de uma drag

Sobre o novo cenário drag de Natal, Kaya diz que existe um sentimento de importância social na maioria das artistas. “Ser drag é ir de encontro com os aspectos existentes da sociedade. Mesmo não tendo domínio sobre isso, a gente acaba fazendo com que as pessoas nos vejam e se questionem o que nós somos”, a partir disso, ela continuou, já é possível desconstruir barreiras.

Orgulhosa pelo seu trabalho, quando se monta a performer se sente uma Megazorde Drag, fazendo menção à versão maior e conjunta dos power rangers. Sobre a nomenclatura, ela explica que sua drag se tornou uma maximização pessoal de representatividade e ocupação, que já existe no seu dia a dia.   “Quando eu me monto eu me sinto empoderada, sou bicha, sou drag!”, e conclui “Ai, adoro essa palavra!”.

 

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