O ano de 2016 mal começou e o calendário de publicações da editora independente já está fechado. Apostando em artistas reconhecidos nas redes sociais ou que estão começando agora, a Tribo trabalha com autores que não têm condições de bancar os custos de um livro. Nomes como Sirlanney e Éff, ela do Ceará e ele de Sergipe, estão no catálogo de obras que pretendem movimentar o cenário local e também nacional nos próximos meses.

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Ilustração do livro “Eff”. O autor de Sergipe tem mais de 89 mil seguidores no facebook.

As novidades já surgiram no último sábado (19), com o lançamento e relançamento de cinco publicações durante o Bazar de Editoras Independentes. Entre os títulos estão o segundo volume de “Contos rabiscados para corações maltrapilhos”, da Ilustralu  e o mais novo zine de Aureliano “Sobrepeso”. O time de autores de fora é representado pelo livro “Arquipélago”, da manauara Laura Athayde; o zine “Marco” da ilustradora Sirlanney e também os quadrinhos autobiográficos do “Eff” (lançado mês passado em Aracaju).

O contato com artistas de outros estados se deu através de encontros em feiras de editoras independentes pelo país e também pela internet. “Queríamos fugir daquela coisa do artista da terra, de publicar gente daqui. A gente se enxerga como editora nacional, então queríamos colocar esse conceito pra frente”, explica Themis Lima, co-fundadora da Tribo.

Além das novas obras, ainda são previstos seis livros para esse ano. O primeiro deles, “Bruta”, conta com os poemas ilustrados de Adélia Danielli e será lançado entre o final de abril e o começo de maio. Em seguida, a editora trabalha na produção de um livro de crônicas da professora de comunicação da UFRN, Ângela Pavan. O terceiro nome volta a ser a cearense Sirlanney, que está escrevendo “Homens”, uma paródia em quadrinhos do “Mulheres”, de Bukowski.

Sobre a relação entre autor e editora, Themis comenta que tudo é na base da confiança. “A gente tem uma relação familiar com todos. Queremos valorizar o trabalho deles, não queremos passar a perna em ninguém e eles percebem isso”.

“A gente quer contar histórias. Mesmo um livro de poesia, tentamos colocar uma narrativa nele”, aponta a livreira. Ainda de acordo com ela, a escolha das obras é feita através da leitura de manuscritos recebidos por email e também por convite a autores que estão se destacando.

O boom dos zines

Conhecida pelos fanzines  (publicações de proporções menores), por dois anos a Tribo conduziu o projeto “Um zine por mês”. Foram no total 24 obras de estilos diferentes, como crônicas, poemas e quadrinhos. Em cada lançamento era realizado um evento para a promoção do autor e da própria editora.

“A gente queria como uma ferramenta de divulgação [da tribo]”, explicou Themis sobre o objetivo do projeto. “Funcionou muito como um laboratório criativo. A gente experimentava autores e formatos diferentes”.

Atualmente, a editora ainda publica zines, mas sem o compromisso de ser mensal. Isso porque o formato demandava muito esforço e tempo da equipe. Mesmo assim, a empresa foi responsável pela explosão de publicações na cidade. “Depois que a gente começou a fazer o projeto tiveram outras pessoas que produziam os seus próprios zines”, apontou a jovem.

A receptividade dos próprios natalenses foi importante para a editora se consolidar no mercado. Segundo Themis, os moradores da cidade são “muito amorosos” e receberam bem a Tribo. “Quando eu converso com as pessoas de fora, todo mundo fica abismado com as parcerias que a gente consegue fazer aqui. A gente tem um relacionamento muito bom com os fornecedores. Natal é uma cidade muito amorosa e os leitores também”, disse.

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