O Dj dá o play e a música começa. Os auto falantes reproduzem um batida eletrônica enquanto a voz doce da cantora fala sobre ser quem você é. No palco, Carmen De Vil. Roupa preta, cabelo curto e maquiagem no rosto. As palavras performadas não são dela. Mas é como se fossem. Sua explosão no palco e a força com quem dubla cada verso prende o olhar de quem está no bar.

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A canção foi escolhida com base em experiências pessoais vividas pela própria artista, que já tentou mudar o comportamento por causa de alguém. “Tem que gostar de você do jeito que você é, se tornar uma outra pessoa para agradar alguém é triste”, comentou Carmem semanas depois da apresentação.

Utilizar a bagagem individual nas interpretações é algo que muitas drags fazem por ser uma forma de expressar o que sentem. E com De Vil não é diferente. “Com a drag eu consigo expressar a minha vivência e com a performance eu consigo mostrar os meus sentimentos de uma maneira lúdica”, explica.

De acordo com ela, colocar o sentimento no palco é capaz de conectar aqueles que já sentiram a mesma coisa ou que passaram por situações semelhantes. “Quando você assiste alguém colocando a bagagem pessoal dela, você se vê naquela pessoa”, falou.

Isso também se reflete em como se dá todo o processo. As performances de Carmen, por exemplo, acontecem de forma espontânea. A música, ela diz, é escolhida de acordo com a ideia que a letra e a melodia passam. No entanto, poucos passos são ensaiados e muitos deles surgem no meio da apresentação. “Procuro memorizar a letra e entender o que ela diz, mas na hora vivo a música”, explicou.

Com tanta força, é normal que alguns chorem. Outros cantam a música e dançam com a batida, mas todos, em comum, não tiram os olhos de uma drag enquanto ela performa.

Carmen enquanto drag

Apesar da força e seriedade da apresentação, Carmen é divertida e engraçada. Começou a se montar há menos de um ano, na segunda edição da Pajux, festa realizada na Ribeira e que dá espaço para apresentações de drag potiguares. Apaixonada pelo reality Rupaul’s Drag Race, a performer viu na montagem uma ferramenta de expressão.“A drag tem um papel importante e isso se potencializa quando percebemos”, contou.

Falar de um artista por trás da persona Carmen é algo difícil, pois é através da drag que ela fala e mostra o que sente, os dois se juntam e acabam formando uma pessoa só. “A Carmen é um pretexto para ser 100% eu”, revelou.

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