Entre as bases da ponte Newton Navarro e o encontro do rio Potengi com o mar está o Mercado da Redinha. Para chegar até o local, é preciso ir até o final da avenida João Medeiros Filho, na zona norte, e seguir as placas que dão nome ao bairro praiano. É lá que dezenas de famílias, natalenses e turistas se encontram nos finais de semana para aproveitar o tempo livre, tomar uma cerveja e comer a ginga com tapioca.

Podendo chegar a ter 600 calorias, o prato leva goma de mandioca, óleo, azeite de dendê e a sardinha azul. A receita foi criada há 60 anos pelo casal Geraldo e Dalila, ambos comerciantes da Redinha. Ele marchante de peixe, responsável por negociar o produto com os pescadores; e ela, cozinheira. Juntos, acharam um destino gostoso e rentável no peixe de porte pequeno que sobrava da pesca.

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A Ginga com Tapioca original da Redinha

Atualmente, na mesma praia, um bar se destaca entre os demais. Não pelo prato, já que todos ali dominam o preparo, mas pela história. Ivanize Barbosa, ou Dona Ivanize, é filha do casal criador da Ginga com Tapioca e herdou a receita. “Estou neste ponto há 46 anos e com o dinheiro da Ginga eu criei meus seis filhos”, contou em uma conversa em dia da semana, quando o movimento é mais baixo.

Aos 68 anos, Dona Ivanize é uma atração à parte do local. Simpática, faz questão de conversar com os clientes que já conhece e trata bem quem está ali pela primeira vez. “Certo dia, chegou um cliente que eu não fazia ideia em que idioma ele estava falando”, relembrou a cozinheira que diariamente abre o restaurante às 07h da manhã. “Quem vem aqui não deixa de voltar, porque eu faço isso com todo amor”, enfatizou.

E quem experimenta diz que, realmente, não existe outra igual na cidade. Sentadas em uma mesa do lado de fora do bar, três seridoenses comentaram que só comem ali porque fora da Redinha a ginga vem fria e mole. “Quando eu como em outras praias, eu passo mal. Aqui ela vem quentinha”, explicou uma das mulheres.

Com tantas indicações, é impossível passar por lá e não pedir uma porção, que custa R$ 6,00 a unidade. Escolhida a mesa, perto ou longe da areia, a espera não é muita e ainda é possível ver a cidade de um outro ângulo.

O peixe é frito na hora e a massa é fresca – é possível, inclusive, ver os comerciantes ralando o coco no próprio estabelecimento. Apesar dos ingredientes gordurosos e do alto teor calórico, a iguaria vem à mesa sem vestígio algum da abundância de oleosidade que a receita esconde. As gingas são espetadas em palito de coco, o que dá maior singularidade ao prato, e podem ser acompanhas de cerveja, refrigerante e até café. Além disso, a massa se junta à crocância do peixe, se transformando, na boca, em um sabor único: o de Natal.

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Dona Ivanize, filha dos criadores da receita, e a vista (em tempo de chuva) do Mercado da Redinha
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