“Há mais coisas entre a dedicatória de um livro e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia”, diria Hamlet ao abrir o meu exemplar de “O encontro marcado” do mineiro Fernando Sabino. Isso porque na segunda página do livro, comprado por meros (e muito bem investidos) seis reais em um sebo no centro da cidade, foi escrita uma dedicatória no mínimo curiosa.

livro

De caneta azul está a equação: “R2 + (I)² + ZOVA + (LD)² + AU”.

Além disso, mais um registro, feito com a mesma tinta: “Eu”.

Não sei o qual o resultado da equação, se é que existe um, ou se os números e letras constroem uma mensagem subliminar. Será apenas uma conta matemática ou uma mensagem? O conteúdo da soma ficará escondido por um bom tempo, ou para sempre, afinal, nunca fui bom com números.

Problemas com aritmética à parte, o que fica é a curiosidade de saber qual teria sido a intenção do antigo dono do livro, o “Eu”. Mas esse pronome pessoal do caso reto se referia ao proprietário do livro ou ao remetente? Teria sido o livro um presente de uma pessoa tão especial que não precisasse se identificar? Eu.

A única pista existente é a própria assinatura. Inelegível. A primeira letra muda de um A para um P, e assim fica difícil de saber qual o nome do dono ou remetente. Além disso, a mensagem está datada.

30/05/76.

Sim, Horácio, mil novecentos e setenta e seis. Eu nem era nascido, você já tinha morrido há tempos. Nossa vã filosofia ainda não foi capaz de adivinhar o passado, mas não custa tentar imaginar.

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