Onde está o certo e o incerto, figurativamente, está a luz e o escuro. Nos últimos anos, a fim de entender o que sou e onde estou, busco, inevitavelmente, o conforto da luminosidade. Mas entre certezas e incertezas, prefiro as vivas ou as mortas? As certezas que são secas pedras ou as incertezas que pulsam?

Esses questionamentos nem passaram pela minha cabeça antes de conhecer, no último dia sete, a 32ª Bienal de Artes de São Paulo, realizada no Parque Ibirapuera. O tema desta edição, “Incertezas Vivas”, discute e enaltece os conhecimentos populares e marginalizados, como o de origem indígena, em meio a tantas “certezas mortas” do nosso cotidiano.

Confesso que há um tempo tento ser um teórico de mim mesmo, buscando razões, significados e sentidos naquilo que sinto, faço ou até mesmo sigo ideologicamente. Com a luz na mão, segui esses anos escrevendo mentalmente um grande livro de conclusões pessoais em meio a escuridão da vida.

O fato é que minha obra pessoal caiu do terceiro andar do prédio da bienal e se espatifou no chão do térreo. As minhas certezas, tão rígidas e secas, já não faziam mais sentido em meio a tantos questionamentos vívidos presentes em diversas criações expostas no local.

Foram cores, formas, frases de efeito e até algumas fotos que fiz no meu celular. Foi arte mostrando a mim outras realidades e modos de viver, como as construções “Dois Pesos e Duas Medidas” da artista mineira Lais Myrrha, e a oca de Bené Fonteles. Mais que isso, foi arte ensinando que sentir é tão prazeroso quanto responder perguntas.

Após a experiência, desapeguei das certezas mortas que também me matam por dentro e me impedem de enxergar outros posicionamentos. Passei, assim, a ver beleza no incerto, na dúvida que tanto me pesa, mas que é viva, que pulsa no meu interior. Com o livro destruído e a alma desconstruída, sigo tentando largar de mão a luz e experimentar viver e sentir a completa escuridão.

Foto: Hector Sos

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