Os mesmos políticos, a mesma cidade

A tranquilidade usual de uma noite de domingo em Natal foi interrompida essa semana pelas buzinas nas ruas e pelos fogos de artifício que explodiam em vários cantos da cidade. Ao ouvir, aqui perto de casa, um carro de som saudando um vereador recém eleito, fiquei com a impressão de que o perturbado domingo foi uma das poucas mudanças que a cidade viveu na noite do dia dois de outubro.

Mudança, inclusive, foi tema de uma postagem de uma amiga próxima, Alice Andrade, em que questionava a “necessidade de mudar” dos natalenses frente à reeleição de Carlos Eduardo no primeiro turno, com mais de 60% nas urnas. “Síndrome de Estocolmo, masoquismo ou falta de noção mesmo?”, concluía.

De fato, é assombroso a quantidade de votos que o candidato do PDT conseguiu, sem deixar espaço para um segundo turno. Foi o terceiro prefeito mais votado do país. Durante a campanha, Carlos Eduardo parecia estar tão certo do resultado que nem se deu o trabalho (e o respeito) de comparecer aos debates da Televisão Universitária e da própria Reitoria da UFRN, bem como a uma entrevista em um programa da Band Natal.

 Mais um representante da família cuja profissão é estar no poder. As coisas não mudaram, como pediam os potiguares, dia desses, na avenida Salgado Filho. Já a Câmara Municipal receberá representantes de políticos que não podem mais se reeleger, pois são julgados corruptos. Mulher de vereador condenado legislando, seria amor pela política? Confesso que só posso responder a essa pergunta com mais convicção do que com fatos.

O momento político em que a capital potiguar passa me faz lembrar do cenário em que os personagens do livro A Peste, de Albert Camus, se encontravam no romance do autor. No livro, enquanto aumentava em centenas o número de mortos por uma virose desconhecida, só restavam aos vivos a luta e a esperança de dias melhores.

“Muitos moralistas novos da nossa cidade diziam então que nada servia para nada e que era preciso cair de joelhos […], mas a conclusão era sempre o que eles sabiam: era preciso lutar, desta ou daquela maneira, e não cair de joelhos” (p. 94).

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