Uma análise do clipe “Cranes in the Sky” da Solange

Não sei se vocês sabem, mas a Beyoncé tem uma irmã tão foda quanto ela. Solange Knowles também é cantora, mas, diferente da megalomaníaca Queen B, é bem mais reservada e prefere criar coisas minimalistas. A caçula da família Knowles lançou semana passada o disco “Seat at the table” cheio de músicas sobre autoafirmação e empoderamento negro.

Junto com o álbum, a cantora disponibilizou dois videoclipes, dirigidos por ela e por Alan Ferguson. Um deles, “Cranes in the sky”, chamou minha atenção antes mesmo de assisti-lo. Ainda ouvindo a música, no Spotify, a letra me encantou por falar em rejeição de sentimentos ruins de uma maneira delicada.

I tried to keep myself busy
I ran around in circles
Think I made myself dizzy
I slept it away, I sexed it away
I read it away

Até aí tudo bem, mas confesso que não entendia direito a razão do título e do próprio refrão da letra:

Well it’s like cranes in the sky
Sometimes I don’t wanna feel those metal clouds

Guindastes no céu? Nuvens de metal? Nada disso fazia sentido numa letra que falava sobre a fuga de pensamentos e sensações estranhas. Tudo mudou a partir do momento que assisti o videoclipe, disponibilizado no youtube:

O que primeiro me encantou no vídeo foi o fato de Solange contracenar com outras mulheres negras e não estar no meio, no centro das atenções. Pelo contrário, às vezes é difícil achá-la entre um take e outro. Inevitavelmente, você passa o olho em todas as pessoas do quadro.

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Além das cores frias e em tons pastéis da fotografia, que deixou tudo mais agradável de assistir e deu unidade estética à obra.

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Mas, o que realmente me tocou foram as sequência de imagens da cantora dançando em ambientes fechados e abertos. Uma hora sufocada em um quarto com espumas e metais expostos, outra contemplando o infinito, sendo um ponto minúsculo em frente a pedras enormes.

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Seria, então, um embate entre a natureza (sky) e o humano (cranes)? Pra mim, isso fica claro com uma cena de duas mulheres dançando no que seria uma estufa inutilizada. A estrutura lembra uma gaiola moderna, feito pelo próprio homem. Elas estariam presas. Em seguida, porém, outras duas dançarinas executam a mesma coreografia em cima de uma duna, é a liberdade do natural.

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Em “Cranes in the Sky”, portanto, Solange diz que tenta viver longe das complicações. Na música, os problemas são materializados em um vida artificialmente construída. É longe que a artista quer estar, em um local tão libertador como o infinito de uma pedra, do céu e da areia da praia. Aqui, a cantora não somente faz um videoclipe lindo, como também uma obra de arte contemporânea.

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