Textões da semana #09

A derrocada do Axé Music, as chantagens do governo Russo e cinco razões para acreditarmos em Roberto Justos como o presidente do Brasil

Decidi ser um leitor mais organizado em 2017. Nos primeiros dias do novo ano tracei as metas de leitura para os próximos doze meses com aqueles autores que precisava e queria ler. Separei em três diferentes listas: os livros clássicos, os autores contemporâneos e os principais romances e contos de Machado de Assis.

A primeira delas, inclusive, já comecei a cumprir. Separei doze medalhões da literatura mundial, um para cada mês. Em janeiro, por exemplo, escolhi ler Franz Kafka. Aproveite a compra recente de “A Metamorfose”, por meros oito reais, para dar o ponta pé no meu roteiro literário de 2017.

Essas duas últimas e primeiras semanas também foram de leitura sobre a posse do novo presidente dos EUA. Corri contra o tempo para acabar a edição de dezembro da revista Piauí, cuja reportagem de capa é sobre a cobertura jornalística da eleição americana e como os jornalistas não conseguiram deter o fenômeno Trump (inclusive, recomendo a assinatura da revista).

Os textões da semana, enfim, estão diretamente relacionadas às experiências pessoais que tive ultimamente.


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I – A gente sempre espera de um livro um final espetacular. Quando ele não vem, parece que ficou faltando algo. A prática do anti-clímax, porém, já foi utilizada por grandes escritores e também tem seu charme. Leia neste artigo do site Homoliteratus.

II –  Ciência sempre rende assuntos e matérias legais. Mas, muitas vezes, o conteúdo nos chega de uma forma bem complicada. O biólogo André Mazzeto criou um perfil no Medium com o objetivo de falar sobre ciência de uma maneira acessível. Neste artigo, ele fala sobre o que um anel de ouro o ensinou sobre Universo.

III – Para quem dá uma arranhada no inglês, sugiro ler esta matéria da revista americana The Atlantic sobre o costume do governo russo de apoiar chantagens públicas. Na semana passada, a imprensa dos EUA anunciou que a Rússia está possivelmente chantageando o novo presidente do país com um vídeo comprometedor.

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IV – Falando em presidente… e se nós tivéssemos o nosso próprio Donal Trump? Gustavo Ricci elencou cinco razões para acreditarmos que Roberto Justus será o novo chefe do executivo brasileiro. 

V – “Isso já não é uma disputa...” se você completou a frase anterior, parabéns, o Sertanejo também te viciou! Marília Mendonça, Simone e Simaria e Luan Santana são alguns nomes desse novo fenômeno da música brasileira. Mas, quem assume o poder acaba destronando alguém. Nos últimos anos, o Axé Music perdeu espaço nas rádios e nos eventos do país e esse cenário foi exposto em documentário.

O que se perde pro mar

Mar não tem cabelo, já dizia minha mãe. Quem muito adentra não tem onde segurar. Passar da linha do umbigo é perder o controle da situação, coisa para aqueles que confiam no próprio braço na hora do aperreio. Os temerosos à imensidão azul, como eu, contentam-se com a água aos ombros, não do fundo, mas da beira. Sentam-se onde as crianças brincam e curtem a adrenalina das ondas que quebram já sem força.

À expressão popular, que anualmente ouço ao ir à praia, adiciono: mar tem vaidade. Relógios, óculos e pulseiras, de marca ou não, ele leva. Seja Rolex ou da 25 de Março, não importa, ambos são oferendas que o grande velho azul aceita sem titubear. Óculos, inclusive, são os preferidos.

Quem oferece, porém, não sabe que o faz. Essas pessoas decidem entrar ao mar com os acessórios vestidos, no alto de uma confiança que beira a soberba. Muitas ficam a molhar os pés, são as que mais perdem os chinelos. Já as que insistem em ir mais ao fundo são as mesmas que doam os objetos de maior valor.

O ritual necessita cautela. Enquanto o banhista está atento, o mar mantem-se calmo, como quem sente vergonha de pegar algo aos olhos daquele que o presenteia. Mas, basta o rápido descuido para o oceano manifestar-se em forma de onda, daquelas que bate forte na cara, que desestabiliza os mais estáveis e que desespera quem costuma parcelar as coisas em 12 vezes sem juros.

O desespero, falando nele, é um comportamento curioso. Há quem grite, peça socorro ou abra os olhos dentro da água salgada (não recomendável) com a esperança de achar o que foi perdido. Em pouquíssimos casos há a devolução, com um inaudível “deuzulivre, pega pra tu de novo” marinho.

Por fim, uma outra personagem completa o elenco dessa história. É aquele que, antes de tudo, avisa sobre o perigo do que está a prestes a ocorrer. Que diz “tire isso, vai cair” ao ver o outro no mar. Apesar de escassos estudos acadêmicos, arrisco-me a dizer que em 99% dos casos elas existem nessa ocasião e, pra completar, estão certas. Na lata. Vai perder! Perdeu!

São essas pessoas que sabem: o mar é vaidoso.

Textões da semana #08

Os textos retrospectivos já perderam o brilho, mas não dá para começar uma nova fase sem comentar a passada.

Por Matheus Soares

O Canguleiro surgiu em 2015 como um projeto despojado no Instagram. No início, por exemplo, eram postadas algumas fotos em preto e branco da cidade, além de ilustrações tímidas. Com o tempo o perfil ganhou cor e um personagem próprio. Mas, foi no ano passado que a ideia tomou forma e cresceu. Conseguimos um site próprio, mais seguidores, mais curtidas e mais visibilidade. Apesar dessa responsabilidade, 2016 foi um ano de extrema experimentação.

Testamos pautas, abordagens e formatos. Não tivemos medo de lançar ao público projetos paralelos e novas formas de conteúdo. Alguns deles, inclusive, acabaram não saindo do papel ou das primeiras postagens. Outros, porém, que surgiram como devaneios, desenvolveram-se e caíram no gosto dos seguidores.

Essas tentativas foram responsáveis pela formação editorial do projeto e acabaram sendo o mote do próprio projeto. Em 2017, continuaremos experimentando, buscando sempre fortalecer a cultura e a identidade potiguar, sem deixar de lado o cunho político e social (temas tão necessários perante à conjuntura atual).

A newsletter do canguleiro (que você pode assinar aqui) é uma das frentes do projeto. Através de links e textões, queremos te inspirar. Mais que isso, queremos mostrar o que se discute nas principais redes sociais de Natal, do país e do mundo sobre cultura, literatura e cotidiano.

A partir deste ano, porém, o texto recebe um tratamento mais pessoal. A newsletter vai ser o espaço de contato aberto entre eu e vocês. Vou contar um pouco sobre as minhas ideias e o meu cotidiano. Essa é uma tendência atual na qual dezenas de pessoas estão utilizando para discutir assuntos de uma forma mais direta e sem formalidades. Já estou ansioso! Mas chega de textão, vamos aos links da semana:


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Foto: Reprodução

I – Você já deve tá sabendo que Natal receberá, a partir do dia 11, o Festival Glomus, que reúne músicos de diversos países. Confira a programação do evento, que conta com dias temáticos de músicas árabes e africanas, por exemplo.

II – Hoje à noite estreia a minisérie “Dois Irmãos”, uma adaptação da obra de Milton Hatoum. Ano passado pude ler o livro e estou super ansioso para ver o resultado, dirigido por Luiz Fernando Carvalho, o mesmo diretor de Velho Chico e Hoje é dia de Maria. Neste artigo, o jornalista Bruno Viterbo faz uma breve retrospectiva do trabalho do diretor na televisão brasileira.

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Foto: Rede Globo

III – Falando nisso, a Globo criou um perfil no Medium com publicações relacionadas à série. Na página é possível ler o depoimento dos atores ao vivenciar as personagens da obra de Hatoum. Nesse, por exemplo, Juliana Paes comenta a experiência de viver Zana, a matriarca da família. É interessante ver a fala dos atores com uma delicadeza não tão presente nas entrevistas que estamos acostumados a ver.

IV – Para quem tá com o tempo livre, eu indico o conto Presente de Aniversário, de Frederico Nercessian.

V – Já para quem não tem tempo, dá uma lida rapidinho no poema Bicho Humano, da Ana Luiza Becker.