Textões da semana #08

Os textos retrospectivos já perderam o brilho, mas não dá para começar uma nova fase sem comentar a passada.

Por Matheus Soares

O Canguleiro surgiu em 2015 como um projeto despojado no Instagram. No início, por exemplo, eram postadas algumas fotos em preto e branco da cidade, além de ilustrações tímidas. Com o tempo o perfil ganhou cor e um personagem próprio. Mas, foi no ano passado que a ideia tomou forma e cresceu. Conseguimos um site próprio, mais seguidores, mais curtidas e mais visibilidade. Apesar dessa responsabilidade, 2016 foi um ano de extrema experimentação.

Testamos pautas, abordagens e formatos. Não tivemos medo de lançar ao público projetos paralelos e novas formas de conteúdo. Alguns deles, inclusive, acabaram não saindo do papel ou das primeiras postagens. Outros, porém, que surgiram como devaneios, desenvolveram-se e caíram no gosto dos seguidores.

Essas tentativas foram responsáveis pela formação editorial do projeto e acabaram sendo o mote do próprio projeto. Em 2017, continuaremos experimentando, buscando sempre fortalecer a cultura e a identidade potiguar, sem deixar de lado o cunho político e social (temas tão necessários perante à conjuntura atual).

A newsletter do canguleiro (que você pode assinar aqui) é uma das frentes do projeto. Através de links e textões, queremos te inspirar. Mais que isso, queremos mostrar o que se discute nas principais redes sociais de Natal, do país e do mundo sobre cultura, literatura e cotidiano.

A partir deste ano, porém, o texto recebe um tratamento mais pessoal. A newsletter vai ser o espaço de contato aberto entre eu e vocês. Vou contar um pouco sobre as minhas ideias e o meu cotidiano. Essa é uma tendência atual na qual dezenas de pessoas estão utilizando para discutir assuntos de uma forma mais direta e sem formalidades. Já estou ansioso! Mas chega de textão, vamos aos links da semana:


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Foto: Reprodução

I – Você já deve tá sabendo que Natal receberá, a partir do dia 11, o Festival Glomus, que reúne músicos de diversos países. Confira a programação do evento, que conta com dias temáticos de músicas árabes e africanas, por exemplo.

II – Hoje à noite estreia a minisérie “Dois Irmãos”, uma adaptação da obra de Milton Hatoum. Ano passado pude ler o livro e estou super ansioso para ver o resultado, dirigido por Luiz Fernando Carvalho, o mesmo diretor de Velho Chico e Hoje é dia de Maria. Neste artigo, o jornalista Bruno Viterbo faz uma breve retrospectiva do trabalho do diretor na televisão brasileira.

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Foto: Rede Globo

III – Falando nisso, a Globo criou um perfil no Medium com publicações relacionadas à série. Na página é possível ler o depoimento dos atores ao vivenciar as personagens da obra de Hatoum. Nesse, por exemplo, Juliana Paes comenta a experiência de viver Zana, a matriarca da família. É interessante ver a fala dos atores com uma delicadeza não tão presente nas entrevistas que estamos acostumados a ver.

IV – Para quem tá com o tempo livre, eu indico o conto Presente de Aniversário, de Frederico Nercessian.

V – Já para quem não tem tempo, dá uma lida rapidinho no poema Bicho Humano, da Ana Luiza Becker.

Surra de vibes

Uma análise do clipe “Cranes in the Sky” da Solange

Não sei se vocês sabem, mas a Beyoncé tem uma irmã tão foda quanto ela. Solange Knowles também é cantora, mas, diferente da megalomaníaca Queen B, é bem mais reservada e prefere criar coisas minimalistas. A caçula da família Knowles lançou semana passada o disco “Seat at the table” cheio de músicas sobre autoafirmação e empoderamento negro.

Junto com o álbum, a cantora disponibilizou dois videoclipes, dirigidos por ela e por Alan Ferguson. Um deles, “Cranes in the sky”, chamou minha atenção antes mesmo de assisti-lo. Ainda ouvindo a música, no Spotify, a letra me encantou por falar em rejeição de sentimentos ruins de uma maneira delicada.

I tried to keep myself busy
I ran around in circles
Think I made myself dizzy
I slept it away, I sexed it away
I read it away

Até aí tudo bem, mas confesso que não entendia direito a razão do título e do próprio refrão da letra:

Well it’s like cranes in the sky
Sometimes I don’t wanna feel those metal clouds

Guindastes no céu? Nuvens de metal? Nada disso fazia sentido numa letra que falava sobre a fuga de pensamentos e sensações estranhas. Tudo mudou a partir do momento que assisti o videoclipe, disponibilizado no youtube:

O que primeiro me encantou no vídeo foi o fato de Solange contracenar com outras mulheres negras e não estar no meio, no centro das atenções. Pelo contrário, às vezes é difícil achá-la entre um take e outro. Inevitavelmente, você passa o olho em todas as pessoas do quadro.

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Além das cores frias e em tons pastéis da fotografia, que deixou tudo mais agradável de assistir e deu unidade estética à obra.

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Mas, o que realmente me tocou foram as sequência de imagens da cantora dançando em ambientes fechados e abertos. Uma hora sufocada em um quarto com espumas e metais expostos, outra contemplando o infinito, sendo um ponto minúsculo em frente a pedras enormes.

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Seria, então, um embate entre a natureza (sky) e o humano (cranes)? Pra mim, isso fica claro com uma cena de duas mulheres dançando no que seria uma estufa inutilizada. A estrutura lembra uma gaiola moderna, feito pelo próprio homem. Elas estariam presas. Em seguida, porém, outras duas dançarinas executam a mesma coreografia em cima de uma duna, é a liberdade do natural.

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Em “Cranes in the Sky”, portanto, Solange diz que tenta viver longe das complicações. Na música, os problemas são materializados em um vida artificialmente construída. É longe que a artista quer estar, em um local tão libertador como o infinito de uma pedra, do céu e da areia da praia. Aqui, a cantora não somente faz um videoclipe lindo, como também uma obra de arte contemporânea.

5 bandas instrumentais de Natal para entrar na sua playlist

Por Lorrana Torres

O cenário musical de Natal tem vivido uma ótima fase, e que com certeza, não é passageira. Cada vez mais bandas ultrapassam as barreiras potiguares, mostrando a diversidade e originalidade da terrinha.

Um exemplo disso são as bandas instrumentais, quebrando com o senso comum de que música instrumental tem que ser erudita feita apenas para pessoas cultas, ou até mesmo sem graça.  

Hoje vamos te apresentar 5 bandas alternativas de Natal cheias de talento onde a voz que manda, é do instrumento.

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Considerado um dos nomes da nova MPB, Phill Veras faz show em Natal

Após o sucesso do primeiro álbum “Gaveta”, lançado em 2013, o cantor e compositor Phill Veras chega à capital potiguar com o objetivo de divulgar o segundo disco “Carpete”. Aos 23 anos, o músico tem uma carreira curta, mas coleciona experiências notórias, como a apresentação no Rock In Rio em 2013, e críticas que o compara com Tom Jobim e outros nomes clássicos da música popular brasileira.

Com uma voz suave, Phill canta sobre amores, sentimentos e experiências próprias. Com letras delicadas, o músico maranhense chamou atenção após publicar trabalhos autorais na internet. A partir disso, os convites para tocar por todo o país começaram a surgir. Em seguida, lançou em 2012 o primeiro EP, chamado “Valsa e Vapor”, e em 2013 o primeiro disco.

Recentemente, o compositor foi convidado pelo produtor mineiro Pedro Ferreira para participar do projeto Mil Ton, uma coletânea em homenagem ao cantor Milton Nascimento. O projeto também conta com participações de bandas como Vanguart e cantoras como Karol Conka, considerados também os novos ícones da produção musical nacional.

O mais novo trabalho, chamado Carpete, conta com oito músicas inéditas e autorais produzidas em São Luiz do Maranhão. Phill Veras se apresenta no próximo dia 20 de maio (sexta feira), às 20h, no antigo Hakuna Matata em Capim Macio. Os ingressos custam, antecipadamente, R$ 20,00 (meia) e R$ 20,00 mais um quilo de alimento não perecível (ingresso social). Na hora, os ingressos custam R$ 25,00 (meia) e R$ 25,00 + 1 kg de alimento não perecível (ingresso social).

Rock made in Natal

A cena musical da capital potiguar está passando por um período de reconhecimento e popularização. As bandas Far From Alaska e Mahmed assinaram contrato com celos de São Paulo e tocaram por todo o país. A primeira, inclusive, subiu ao palco do Lollapalooza em 2013. Já a segunda está com as passagens compradas para um tour na Europa.

A mais nova sensação, Plutão Já Foi Planeta também alcançou reconhecimento nacional após conquistar 91% de votos a favor na apresentação do programa Super Star, da Rede Globo.

Dessa forma, nada mais maneiro que ouvir as principais músicas dos grupos locais e reconhecer o que é feito daqui. Então segura essa playlist de rock potiguar!

Quarta é dia de Música Clássica

O projeto “Quartas Clássicas” está de volta, desta vez com um toque mexicano. Nesta edição, a apresentação mensal da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte conta com a participação especial do Soprano Liliana Del Conde (MEX), do Barítono Gabriel Navarro (MEX) e do tenor Adriano Pinheiro (BRA). O espetáculo vai ser realizado nesta quarta (27), às 20h, no Teatro Riachuelo.

O primeiro lote com 510 ingressos foi distribuído gratuitamente mediante a uma reserva prévia na internet. Nesta fase, foi disponibilizado um formulário para a inscrição do público. As entradas que sobraram, junto com mais 300 bilhetes, fazem parte do segundo lote, que pode ser retirado hoje na própria bilheteria do teatro. Serão apenas dois ingressos por pessoa.

A orquestra do Rio Grande do Norte foi criada em 1976 com o quadro composto por 23 músicos, dos quais apenas cinco moravam em Natal. Atualmente, o grupo é formado por 60 integrantes, sob a regência do maestro Linus Lerner, que comanda a orquestra desde 2012.

Serviço

Quartas Clássicas

Às 20h no Teatro Riachuelo

Entrada Gratuita (Ingressos disponíveis na bilheteria) / Indicação Livre

 

 

Você pode ajudar uma banda natalense a tocar no maior evento de música do mundo

Liderados pela vocalista Emily Barreto, os potiguares do Far From Alaska estão a um passo de atingir o reconhecimento e o mercado internacional. A banda participa de uma seleção, com mais 11 artistas do mundo todo, para tocar na primeira noite do Medim, o maior encontro da indústria musical do planeta! O evento é realizado anualmente desde 1967 na cidade de Cannes, na França.

Para ajudar é muito simples: a votação está sendo feita através de curtidas na foto oficial da banda na página do evento.

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Clique aqui para votar

Apenas três bandas serão selecionadas. Até o fechamento deste post o FFA estava afrente de grupos europeus, como os francesas da Synapson e do Club Cheval, e também de artistas americanos, como Nvdes e a cantora Flo Morissey.

Esta seleção faz parte da segunda edição do projeto Midem Artist Celerator, cujo objetivo é apresentar revelações da música internacional e impulsionar a carreira dos músicos. Além da apresentação os selecionados vão ter a oportunidade de receber orientações de grandes profissionais da indústria musical, participar de workshops e entrar em contato com referências da área.